19.10.15

poemas esfumaçados no esquecimento

quem me dera ser um gato negro
languido
se esgueirando nas sombras da cidade
à noite
a noite que nos arranca a pele
e estraçalha as mandíbulas.
temos algo em comum - eu e o gato:
presságio de azar.

*

Toda noite a mesma febre
E as manhãs de hortelã
Nunca chegam
Você comendo jabuticabas às cinco da tarde
em ponto.
Eu com minhas olivas verdes nas mãos
a derreter
De tanto esperar por manhãs e hortelãs
que nunca vêm.

*

amor de abajour
se apaga em três toques:
adeus-mon-amour

*

o inferno sou eu
um inferno particular onde
muitas de mim cometem
o mesmo erro.
o mesmo erro.
o mesmo erro.
o mesmo erro.